5 de jan. de 2013

Olavo de Carvalho -- A Gnose de Princeton  (dennymarquesani.sites.uol.com.br)
- Highlight Loc. 89-100  | Added on Monday, January 30, 2012, 11:43 PM

O exame objetivo estabelece um gato objetivo — um mamífero, de quatro patas, dotado de um cérebro assim e assado, de um sistema nervoso assim e assado etc. etc. Esse gato, evidentemente, não é consciência. Mas este é o gato para a ciência, o gato para a consciência objetiva humana, o gato abstrato e genérico, e não este gato específico, único, irredutível a outro gato. O gato genérico é um gato universal e necessário, redutível a certas uniformidades com os outros gatos. Este gato específico e único, ao contrário, resulta de um agrupamento altamente improvável de fatores constituintes; ele é único justamente porque não se reduz a leis, objetivas, e genéricas; neste sentido, é um «eu». Tudo quanto é real e concreto, individual, irredutível, é um «eu», algo que não só emite, mas recebe significados. Todas as coisas reais são assim. As coisas da ciência é que não. Mas a ciência não se ocupa com «as coisas» e sim com «o lado objetivo das coisas» que é precisamente o que elas não são em si mesmas. A ciência não descreve «o mundo», descreve «o avesso do mundo». Nas palavras de Aimé Michel: A dferença que há entre os «seres» desprovidos de um «eu» e os verdadeiros seres é a mesma que há entre 500 mil caracteres tipográficos espalhados sobre uma mesa e os mesmos caracteres sucedendo-se ordenadamente num romance de Tolstoi.